Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
Mais cedo, o Blog registrou, na reportagem de Victória Oliveira, a decisão da governadora Raquel Lyra (PSD) de arcar integralmente com os custos das obras do Aeroporto Oscar Laranjeira, localizado no município de Caruaru, Agreste pernambucano.
A confirmação chegou através da própria gestora, durante coletiva de imprensa no Palácio do Campo das Princesas, onde Raquel afirmou que o Estado bancaria as obras do equipamento, orçadas em R$ 150 milhões.
No princípio, o Governo Federal sinalizou a intenção de custear sozinho as obras, mas, posteriormente, o entendimento foi pela divisão dos recursos, com parte da União e outra parte do Estado. De acordo com apurações feitas ao longo da semana passada, R$ 75 milhões do Governo Federal já haviam sido disponibilizados e estavam em caixa.
A atitude da governadora, no entanto, causou estranheza aos bons observadores da política estadual. O próprio ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, chegou a afirmar que achava um “erro” a atitude da governadora em “querer ter sozinha a paternidade da obra”.
Reação do ministro e contexto político
Com a confirmação, o ministro reagiu. Chamou a decisão de “estreita” e classificou como “inacreditável”.
“Infelizmente, o que vemos é uma decisão estreita da governadora Raquel Lyra. Abrir mão de R$ 150 milhões do Governo Federal para pegar empréstimo e bancar a obra do aeroporto é um erro, na minha avaliação. Esses recursos poderiam ser destinados a muitos municípios de Pernambuco que precisam de apoio financeiro do Estado. É inacreditável a decisão de Raquel Lyra de recusar recursos federais e optar por empréstimos para custear o aeroporto de Caruaru”, disse Costa Filho.
Na avaliação feita pelo ministro, Raquel estaria colocando “questões políticas acima do interesse da população” e lembrou da parceria do Governo Federal com o Estado de Pernambuco. “A decisão de Raquel Lyra vai na contramão da parceria estabelecida entre o Governo Federal e Pernambuco”, disse.
Sob reserva, uma fonte disse ao Blog que a postura de Raquel era esperada e, na verdade, não causava nenhuma surpresa. “Ela está cada vez mais distante de Lula. É disso que ela precisa para o projeto político e para sua reeleição”, afirmou.
Nos últimos meses, a relação da governadora com o presidente Lula da Silva (PT) vem sendo marcada pelo distanciamento político, o que tem consequências diretas na dinâmica de cooperação entre ambos.






