Foto: Reprodução / TV Globo
Ontem, 26 de outubro, comemorou-se o Dia dos Metroviários, data dedicada a todos aqueles que trabalham na operação de um sistema de transporte metropolitano sobre trilhos. Mas, afinal, a pergunta feita pela categoria aguerrida, embora extremamente limitada, é: quais razões para comemorar?
Não ironicamente, um dia antes da passagem da data comemorativa, o metrô do Recife literalmente pegou fogo, enquanto transportava passageiros entre as estações Curado I e Alto do Céu, no ramal Jaboatão. O fato paralisou toda a Linha Centro, que segue em manutenção.
Quando o Blog registra que o sistema beira o colapso, não é exagero. Na verdade, os próprios metroviários alertam frequentemente sobre a situação em que se encontra o modal.
Uma fonte, sob reserva, afirmou ao Blog que há metroviários, sobretudo os profissionais que conhecem a fundo a manutenção dos trens, que evitam utilizá-los por temerem descarrilamentos. Uma triste e assustadora realidade para um sistema que transporta mais de 160 mil pessoas por dia e opera aos cacos.
Abandono, risco e contradição política
O alerta feito pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco e pela Federação Nacional dos Metroferroviários é antigo. As entidades atribuíram o acidente ao suposto estado de abandono e precarização da linha, que, nos últimos anos, sofre com a falta de investimentos concretos capazes de reverter a situação penosa do sistema, que outrora foi referência nacional pela organização, tecnologia e extensão.
Atualmente, os planos do governo federal, contrariando sindicalistas e movimentos sociais, é transferir a responsabilidade para o Estado, que posteriormente colocará o metrô à disposição da iniciativa privada. Uma contradição do próprio governo Lula 3, que se comprometeu, em campanha, a manter o metrô do Recife público.
Com uma das tarifas mais caras do Brasil, os pernambucanos, os que dependem do sistema, pagam caro, e não é de hoje, pela fumaça que inalam, pelo risco de andar sob os trilhos correndo diversos perigos, pela imensa demora nos trajetos, pelos intervalos prolongados, superlotação e falta de locomotivas.
Longe de ser um fato isolado, o fogo foi apenas mais um alerta sobre a necessidade de investimentos urgentes, pois o sistema já oferece riscos. Em quase quatro décadas de existência, há quem defenda, inclusive, o fim da operação do metrô, diante dos graves riscos já existentes.
“De quem, agora, é a responsabilidade?”, questionam os metroviários.
Sem mais, feliz dia e toda solidariedade para os profissionais que, apesar de todas as dificuldades, sustentam o sistema funcionando.







