Foto: Reprodução / Sindmetro

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Desapontados com o governo Lula, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-pe) decidiu fazer uma recepção calorosa ao chefe do Executivo nacional e sua comitiva, que desembarca em Pernambuco nesta quinta-feira (14), para agendas na Mata Norte e no Recife.

A categoria, após Assembleia Geral, deliberou uma paralisação de 24 horas do sistema metroviário que abrange cidades da RMR, transportando diariamente mais de 160 mil pessoas. O início da paralisação foi ainda na noite de ontem e segue durante esta quinta. E não para por aí. Mais de 20 outdoors e painéis de LED instalados em pontos estratégicos do Recife vão exibir mensagens como: “Lula, teu governo vai privatizar o metrô do Recife?”, “Não à privatização do Metrô! Em BH [Belo Horizonte], a passagem subiu para R$ 5,80. Privatizar é aumentar a passagem e piorar o serviço”, “Lula, cumpra sua promessa, não privatize o metrô do Recife”.

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O cerne da contrariedade é a decisão de manter a Companhia Brasileira de Trens Urbanos no Plano de Desestatização, com etapas que incluem o repasse do gerenciamento da malha ferroviária para o Estado, que será responsável por todos os processos até o leilão definitivo.

Até lá, como já revelou o Blog do Yan Lucca, que vem cobrindo a crise crescente do modal, são previstos investimentos na ordem de R$ 3 bilhões para uma repaginação completa, que inclui modernização e restauração.

Levando em consideração todos os trâmites que antecedem a concessão definitiva da rede, como a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e a preparação do edital, o leilão só deve ocorrer em 2027.

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A própria CBTU já sinalizou a segurança do emprego dos metroviários. No fim do ano passado, a empresa assinou um “acordão” coletivo que garantia a manutenção dos postos e a realocação dos funcionários, sem aparentes danos. Mas, para os metroviários, isto é insuficiente.

“Entreguista”, chamavam Bolsonaro, avaliam fontes próximas à categoria. “E agora? Do que vão chamar Lula?”, questionam.

Na Assembleia Geral ocorrida na noite desta quarta-feira (13), o presidente do sindicato voltou a afirmar que a luta é política para garantir uma tarifa acessível e transporte de qualidade. “Não se trata apenas de uma pauta corporativa. Estamos falando do direito da população ao transporte público de qualidade. Privatizar o metrô é aumentar tarifas, precarizar o serviço e excluir quem mais precisa dele”, pontuou.

De fato, a tarifa cobrada hoje pela CBTU é uma das mais altas do Brasil. Atualmente, o valor do bilhete é de R$ 4,25, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro (R$ 7,90), Brasília–DF (R$ 5,50), Belo Horizonte–MG (R$ 5,30) e São Paulo–SP (R$ 5,00).

Até 2018, a tarifa do metrô era de R$ 1,60, inicialmente ajustada para R$ 3,00, um aumento de 87,5%, que gerou, na época, insatisfação entre os usuários. Porém, até ali, o sistema não aparentava os tantos problemas que apresenta atualmente.

“O presidente Lula prometeu que o metrô do Recife seguiria público. Nossa luta é para que essa palavra seja honrada”, afirmou Soares.

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