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No mais recente episódio do programa Conexões 360°, o Blog recebeu o professor, militante do Partido dos Trabalhadores e vice-presidente da legenda em Pernambuco, Pedro Alcântara. Durante a entrevista, ele fez uma análise crítica sobre a perda de protagonismo do PT nos últimos anos, especialmente após a ascensão da direita no cenário político nacional.
De acordo com Pedro, os fatores que levaram a esse processo de enfraquecimento pode ser dividido em três momentos distintos. “Eu falaria desses desgates em três pontos para a gente chegar até aqui, primeiro foi o desgate a partir de problemas internos do próprio PT, após isso o episódio da Lava Jato, o Bolsonarismo e o desgate da figura de Lula. A terceira coisa é a mais recente, que é o alinhamento mais radical ao PSB aqui na cidade (Recife), que no meu ponto de vista, a forma como é feita enfraquece o PT, dentre outras coisas, porque o atual governo do PSB não pratica um programa popular como aquele que o PT aplicou especialmente durante os governos do agora deputado João Paulo. Esses três momentos estão prejudicando definitivamente o protagonismo do PT aqui na cidade”, afirmou.
PT em 2024
Ao ser provocado a avaliar a atuação do partido nas eleições municipais de 2024, Pedro foi direto ao apontar falhas estratégicas. À época, o PT negociou, com dificuldade, espaço na chapa do prefeito reeleito João Campos, tentando emplacar a vice-prefeitura como forma de fortalecer sua presença na aliança. A articulação, no entanto, terminou de forma limitada: João Campos optou por um vice-prefeito técnico, Victor Marques, e o aceno ao PT veio de maneira indireta, com a filiação do vice ao PCdoB, partido que integra a federação Brasil da Esperança, (PT, PV e PCdoB).
Para Pedro, a condução desse processo foi equivocada. “Houve um erro gigantesco da tática eleitoral do PT aqui em Recife, um partido com a força que tem o PT, já ter governado a cidade, não poderia nunca um ano antes da eleição já anunciar que queria uma vice prefeitura, o PT tinha obrigação antes de tudo de apresentar o seu debate sobre a cidade, apresentar um balanço sobre a gestão, correr e debater a cidade, a gente tem nomes para isso. Após isso no ano da eleição a gente começaria a discutir quais seriam os caminhos, o principal erro foi que se antecipou demais a discussão de aliança e além disso já se antecipou que queria uma vice prefeitura, para o PT é muito pouco se contentar com uma vice prefeitura aqui em Recife, durante a campanha o PT ficou apagado, em 2024 a tática eleitoral escolhida pelo PT fez o partido perder brilho”, disse.
PSB x PT
A entrevista também abordou a polarização que começa a se desenhar para as eleições de 2026, entre a governadora Raquel Lyra, que deverá disputar a reeleição, e o prefeito do Recife, João Campos, que pode se descompatibilizar do cargo em março ou abril do próximo ano para concorrer ao Governo de Pernambuco, caso o cenário seja considerado favorável, especialmente com o apoio do presidente Lula.
Sobre esse contexto, Pedro fez críticas ao comportamento político do PSB e à relação do partido com o lulismo. “Ele (João) disse ser sempre um soldado de Lula, mas é um soldado de ocasião, João Campos é um soldado de ocasião, como o PSB também, quando Lula e o PT tem bônus eleitoral a oferecer ao PSB eles são lulistas, quando o PT se coloca para disputar alguma coisa contra o PSB ou quando o PT está muito lá embaixo, a exemplo da lava jato, eles mostram um antipetismo radical, foi o que vimos nas eleições de 2020. O PSB tem muito pouco interesse no PT enquanto partido, enquanto expressão política de parte do povo, tem mais cobiça e desejo pelos votos do lulismo mesmo. Agora em relação a Raquel e João e a decisão que se irá tomar, eu não concordo, não é bom o PT se antecipar demais essa discussão”, afirmou.
Qual a prioridade
Ao tratar das prioridades do PT para o próximo ciclo eleitoral, Pedro defendeu que o partido concentre esforços na reorganização interna e no fortalecimento da sua representação parlamentar. “Eu acho que está em tempo do PT fortalecer a sua chapa proporcional, discutir as soluções concretas para nós reelegermos nossos deputados, fazendo mais federais e fortalecer os estaduais, precisamos garantir a força na federação para que esses companheiros e companheiras sejam eleitos, e sobretudo garantir a força do nosso senador Humberto, que vai muito importante sua recondução ao senado para o quarto governo Lula”, pontuou.
Governo do estado
Já sobre a definição do posicionamento do partido na disputa pelo Governo do Estado, ele reforçou que qualquer decisão deve ser tomada com cautela e diálogo amplo. “Em relação a governador e governadora, eu acho que o PT não deve decidir agora, até porque essa é uma decisão que vai ser muito mais da direção nacional em diálogo com a estadual. O PT aqui em Pernambuco muita gente fala que teria dois palanques, algumas pessoas dizem que só tem um que é João, outras dizem que podem ter dois que é com Raquel, mas na verdade temos três palanques que fazem parte da base do governo Lula, temos João, temos Raquel que é o PSD que compõe o governo, mas que de fato não vem falando sobre o desejo de apoiar o presidente Lula, e nós temos um terceiro palanque do PSOL, com o pré-candidato Ivan Moraes aqui em Pernambuco, e tem a minha simpatia, a candidatura dele vai apontar pela esquerda as contradições da polarização entre João e Raquel e vai apresentar alternativas concretas de políticas públicas. Mas hoje tudo caminha para o estreitamento seja ainda maior entre a candidatura de Lula e a possível candidatura do prefeito do Recife, e ainda há possibilidade de Lula ter três palanques aqui”, concluiu.






