Foto: Jarbas Araujo / Alepe
A deputada estadual Dani Portela (PSOL) voltou a ser a pauta principal de portais e blogs pernambucanos de ontem para hoje. A parlamentar, que vem repercutindo reiteradamente na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco denúncias contra o governo Raquel Lyra (PSD), agora sofre com o suposto “abandono” do próprio partido.
Dani foi responsável por protocolar o pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades no contrato de publicidade do Governo do Estado, posteriormente instaurada e tramitando na Alepe.
De lá para cá, em seus discursos, a deputada vem sofrendo uma série de perseguições e ameaças nas redes sociais, classificadas por ela como “orquestradas”, chegando a receber, inclusive, ameaças de morte. “Medo eu tenho, mas não uso”, declarou a parlamentar.
Com isso, seu partido, o PSOL-PE, foi pressionado a se pronunciar sobre o momento vivido pela deputada. Inicialmente, defendeu que todas as denúncias sejam “apuradas, com total transparência e respeito ao devido processo legal”. A nota reforça também o direito à “ampla defesa e ao contraditório”.
Em seguida, a legenda manifesta repúdio aos atos de ataques violentos ou exposição midiática indevida, reconhecendo que “mulheres negras em espaços de poder são alvo preferencial da violência política de gênero”, praticada e combatida pela sigla, pontuam.
Porém, na sequência, o partido se posiciona sobre o distanciamento da deputada em relação à legenda. Para contextualizar, nos bastidores corre solta a informação de que a parlamentar só aguarda o período da janela partidária para filiar-se ao Partido dos Trabalhadores (PT), sigla que já acolhe seu marido, o militante Jesualdo Campos, que se desfiliou do PSOL em 2024 levando consigo um grupo de psolistas.
Na nota do PSOL, a direção registra que, nos últimos meses, a deputada se distanciou progressivamente do partido e menciona a desfiliação coletiva de membros de sua equipe parlamentar, além de “clara mudança de alinhamento político”.
O texto também cita a falta de apoio de Dani à chapa majoritária do PSOL para 2026 (Ivan Moraes para o governo e Jô Cavalcanti para o Senado). O Blog do Yan registrou, na época, a cobrança pública feita pelo ex-presidente da legenda à deputada, questionando quando Dani iria se posicionar sobre seus apoios. Na ocasião, havia a hipótese de um suposto “racha” na legenda. Aqui registramos: de acordo com fontes, o partido vive um consenso e Dani estaria isolada na sigla.
“Embora formalmente filiada, a deputada não mantém interlocução com a direção partidária nem participa da vida orgânica do PSOL-PE”, escrevem.
A nota ainda menciona alianças construídas na Alepe, incluindo o PL de Bolsonaro, que resultaram na eleição do deputado Alberto Feitosa (PL) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Aqui vale lembrar que o próprio Daniel Coelho, secretário do governo Raquel, pontuou em entrevista recente ao JC a suposta aliança de Dani com bolsonaristas, questionando se, contra a governadora, “vale tudo”.
“Ressaltamos que o PSOL-PE sempre pautou sua atuação pela defesa intransigente da ética na política e pelo correto uso dos recursos públicos. Reafirmamos nosso compromisso com uma política transparente, socialmente responsável e alinhada às lutas históricas da classe trabalhadora, guiada pelas decisões coletivas do partido – e não por interesses individuais ou de gabinetes isolados”, escreveram.







