Foto: Miva Filho
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) instaurou, nesta sexta-feira (29), uma auditoria para investigar mais um contrato milionário da gestão Raquel Lyra (PSD), desta vez, na área de educação.
De acordo com as informações apuradas, o alvo do TCE é um contrato superior a R$ 185 milhões firmado pelo governo da governadora Raquel Lyra (PSD) com a Cetus Construtora, empresa responsável pelos serviços de manutenção e reformas nas escolas das redes estaduais
A Corte de Contas apontou indícios de superfaturamento e possíveis falhas nos procedimentos administrativos, totalizando doze possíveis irregularidades, desde contratação de empresa impossibilitada de firmar contratos com a administração pública até indícios de superfaturamento em aditivo e fraude na representação legal, entre outros pontos levantados pelo tribunal.
Segundo informações da Revista Veja, a Cetus Construtora estava registrada como inidônea no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), da Controladoria-Geral da União (CGU), o que a impedia de contratar com o poder público entre março de 2025 e março de 2026. Apesar da sanção, a empresa assinou contrato com a Secretaria de Educação de Pernambuco em 11 de junho de 2025.
A denúncia foi feita pelo deputado estadual Romero Albuquerque (PSB), e a decisão foi tomada pelo conselheiro Rodrigo Novaes. Entre as irregularidades está o suposto superfaturamento. A Cetus apresentou preço médio de R$ 112,01 por unidade de serviço, enquanto outra empresa habilitada no certame ofereceu valor inferior, de R$ 107,85.
O superfaturamento também estaria presente no aditivo contratual de aproximadamente R$ 37 milhões. De acordo com o relatório, novos itens foram incluídos no contrato com base em pesquisas de preços realizadas pela própria empresa. Um dos exemplos diz respeito à instalação de aparelhos de ar-condicionado, cujo valor teria apresentado sobrepreço de até 274%.
Confira as suspeitas apontadas pelo relatório
Abaixo, confira as 12 suspeitas levantadas pelo relatório do TCE:
- contratação de empresa impedida de licitar;
- ausência de parecer jurídico prévio da PGE;
- escolha de proposta mais onerosa;
- indícios de superfaturamento em aditivos;
- possíveis irregularidades na representação legal da empresa;
- suspeitas de pagamentos em duplicidade;
- subcontratação sem autorização formal;
- incompatibilidade entre a estrutura da empresa e o volume dos contratos;
- falhas em medições e registros de execução;
- possível desvio do objeto contratual;
- divergências entre medições, liquidações e pagamentos;
- falhas na divulgação de documentos públicos.
Contratos ultrapassam R$ 224 milhões
Além da Educação, a Cetus firmou contrato com outros órgãos estaduais, como a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) e o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe). Somados, os acordos ultrapassam R$ 224 milhões em menos de um ano, sem a realização de novos processos licitatórios, de acordo com os dados analisados pelo Tribunal de Contas.
Em nota, a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) informou “que, até o momento, não foi notificada da decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), tendo tomado conhecimento de seu teor por meio da imprensa”.
Além disso, a SEE informa que “não possui saldo contratual com a empresa Cetus e que o contrato vigente expira no próximo dia 10 de junho. Assim que for oficialmente comunicada, a SEE analisará integralmente a decisão e adotará as providências cabíveis”.







